Esta mulher aparece apenas 18 segundos em cada filme, mas faz isso em muitos. No ano passado, estreou em 13. Há uma boa probabilidade de que essa seja a pessoa que você mais viu na história do cinema. Mas quase ninguém sabe como se chama. Talvez, apenas a 'dama da tocha'. Abre todos os filmes da Columbia Pictures desde 1922, contados em centenas. E embora o logotipo tenha mudado várias vezes em seus quase 100 anos de história, a figura da 'dama da tocha' permanece inalterada.
(Com exceção, é claro, daquela ocasião em que, no início do delírio disco-kistch Até que Enfim é Sexta-Feira!, a maior glória de Motown, a 'dama da tocha' começava a dançar).
O logotipo da Columbia Pictures é reconhecido pelos espectadores em todo o mundo. Está (quase) no nível do leão que ruge da Metro Goldwyn Mayer e anda de mãos dadas com o castelo da Disney ou a montanha da Paramount (que, segundo a lenda, é o pico Artesonraju, do Peru). O que é menos conhecida é a história por trás da mulher da tocha e, em alguns casos, até mesmo sua identidade.
Só se sabe com certeza qual é a mulher que apareceu no logotipo da empresa nos últimos 27 anos. Em 1992, a Columbia Pictures pediu ao pintor Michael Deas, conhecido por seus retratos de presidentes e estrelas do cinema clássico, que reformulasse a popular imagem. Para isso, Deas pediu a ajuda da fotógrafa Kathy Anderson para lhe dar imagens de referência. Em julho de 1991, Kathy pediu a uma de suas colegas de trabalho em um jornal de Nova Orleans, a designer gráfica Jenny Joseph, que posasse em seu pequeno apartamento diante de um pano preto, usando uma túnica e segurando uma tocha.
Trecho
de uma reportagem (em inglês), publicada em 2013, em que se pode ver
imagens de Michael Deas e Jenny Joseph, pintor e modelo da 'dama da
tocha' da Columbia Pictures
Jenny não imaginava que aquela imagem seria a mais vista nos cinemas
de todo o mundo. Dizem que foi escolhida porque tanto Michael como Kathy
achavam que se parecia com a mulher da tocha que aparece nas versões
anteriores do logo da famosa produtora. Jenny não era modelo, como contou a própria Anderson: não tinha posado antes para uma câmera, nem voltou a fazer isso depois.Mais tarde, Jenny se mudou de Nova Orleans para o Texas, casou e teve filhos. Crianças que cresceram tranquilamente com a ideia de que sua mãe aparecia sempre nos cinemas antes do início de alguns dos filmes de maior bilheteria de cada ano. Uma curiosidade: algumas pessoas acharam que a mulher era a atriz Annette Bening, por encontrarem uma certa semelhança com ela. Foi um rumor que circulou em Hollywood por alguns anos. Em alguns sites, Bening aparece como uma das 'damas da tocha'. Não é.
Mas quem apareceu antes nessa mesma posição? É muito complicado determinar o nome das mulheres que seguraram antes a tocha, embora o cinema seja uma indústria na qual tudo é gravado e registrado para a memória. Mas, de acordo com a Columbia Pictures, não há documentação para comprovar se algumas das mulheres que afirmam ter sido a 'dama da tocha' estão dizendo a verdade.

Depois vem Amelia Batchler (1908-2002), que em uma reportagem da revista norte-americana People é apresentada como a mulher que posou para o logotipo da tocha durante anos desde 1936. "Um dia, Harry Cohn [que foi o primeiro presidente da companhia] me disse: 'Vá para o vestiário, eles vão te vestir. Há um artista italiano que quer te pintar. Isso foi em 1935 ou 1936. Eu era uma artista contratada e por 75 dólares por semana fazíamos de tudo, exceto esfregar o chão”.
Amelia, segundo seu relato, nunca perguntou para que seria aquela pintura. Descobriu alguns anos depois que sua imagem aparecia no começo de todos os filmes da Columbia. "Direitos de imagem? Você está brincando? Não pagavam nada disso a ninguém naquela época. Isso foi muito antes de haver sindicatos.” Como anedota, o seguinte: Amelia disse que muito mais tarde, quando a identidade da 'dama da tocha' começou a intrigar a imprensa e os espectadores, telefonou para a Columbia para dizer que era ela, no caso de que quisessem escrever algum tipo de história ou comunicado sobre isso. Mas a moça que a atendeu não acreditou nela por uma razão muito simples: dezenas de mulheres tinham telefonado antes dizendo a mesma coisa.

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Guillermo Alonso
El País
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