A Gazeta do Povo deixará de ser impressa, sairá do armário e se assumirá como blog...
Ou seja, aconteceu o que já havíamos previsto e noticiado em 2.013:
O fim dos jornais de papel está próximo - 'New York Times' vende o jornal 'Boston Globe' para proprietário de time de futebol inglês
Fim do jornal de papel - Gazeta do Povo começa a cobrar conteúdo na internet
Fim dos jornais de papel - O Estado de São Paulo à venda e ninguém quer comprar
E continuamos noticiando nos anos que se seguiram:
Gazeta do Povo 'entrega a rapadura' e deixa de circular aos sábados
Início do fim - Gazeta do Povo é vendida por 1 real
E agora veio a derrocada final...
A notícia mais importante da mídia brasileira nos últimos tempos aconteceu na quinta-feira, quando a Gazeta do Povo, do Paraná, anunciou a decisão de encerrar sua edição impressa, a partir de julho deste ano. Uma decisão óbvia, do ponto de vista econômico, uma vez que praticamente todos os brasileiros que hoje se informam consomem informações por meio de dispositivos móveis, como smartphones e tablets, ou computadores.
Sem a edição impressa, a Gazeta do Povo elimina custos industriais, com sua gráfica, e de distribuição dos jornais para bancas e assinantes. Na outra ponta, os consumidores também se beneficiam. No mundo digital, os leitores têm acesso a informações instantâneas, que também podem ser imediatamente comentadas e compartilhadas.
Embora faça todo o sentido
econômico, a Gazeta do Povo relutou em tomar essa decisão porque a morte
dos impressos traz também riscos gigantescos para os jornais
tradicionais, que tentam manter, a partir do papel, a percepção de que
são os reis da cocada – ou da influência – em suas determinadas praças,
com uma suposta superioridade técnica em relação aos concorrentes
digitais da chamada "blogosfera".
A partir de julho, no entanto, a Gazeta do Povo será também "blogosfera" e passará a concorrer com veículos como o Blog Wilson Vieira, Blog Ivan de Colombo, Blog Nilton do Rim, Blog Olho no Lance, Blog Rede Jovem e Blog do Esmael, que já são tão ou mais influentes do que o centenário jornal paranaense.
Outro dado surpreendente é o fato
de a morte do impresso ter chegado a uma cidade como Curitiba, a oitava
maior do País, com 2 milhões de habitantes e 1,4 milhão de eleitores,
que não terá mais um jornal diário impresso, no campo da formação de
opinião. Esse movimento antecipa uma tendência e coloca em risco a
sobrevivência impressa de títulos como Correio Braziliense, Zero Hora,
Estado de Minas e até mesmo Globo, Estado de S. Paulo e Folha de S.
Paulo. É só uma questão de tempo.
Abaixo, reportagem do Portal Imprensa sobre o fim da Gazeta do Povo impressa:
O jornal Gazeta do Povo anunciou
nesta quinta-feira (6) uma mudança significativa na sua produção
jornalística. A partir de 1º de junho, deixará de publicar a edição
impressa diária e será o primeiro jornal brasileiro feito originalmente
para plataformas móveis, a partir do conceito “mobile first”. Ao todo,
foram investidos R$ 23 milhões em tecnologia para promover essa mudança.
Crédito:
“Nossa estratégia se baseia em
levar ao leitor onde ele estiver, pelo celular, notícias de
credibilidade em um ambiente onde se difundem amplamente as fake news.
Acreditamos que o leitor da Gazeta valoriza a informação de
credibilidade e isso será a base para que ampliemos o nosso universo de
assinantes”, afirmou Guilherme Pereira, presidente do GRPCOM, grupo
proprietário do jornal.
A partir do aplicativo da Gazeta
do Povo, desenvolvido por pela Eidos, o jornalista poderá produzir não
só textos, mas também fotos, vídeos e lives. A proposta inverte a lógica
de consumo de conteúdo geralmente utilizada pelos veículos
jornalísticos na internet: o site originalmente construído para celular
será responsivo para a tela do computador.
Além da plataforma digital, será
publicada uma edição semanal do jornal, que circulará sempre aos sábados
em um novo formato. A ideia é aprofundar e explicar os assuntos mais
quentes do momento com artigos exclusivos. Cada exemplar terá 64 páginas
e será vendido a R$ 8 nas bancas. Os assinantes receberão em casa aos
sábados. Também haverá mensalmente a publicação das revistas Haus e Bom
Gourmet.
O jornal também anunciou novos
colunistas: Ricardo Amorim, Teco Medina, Leandro Narloch, Rodrigo
Constantino, Lúcio Vaz e Evandro Éboli.
com conteúdo
Brasil 247
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