Saiba 08 medidas simples para prevenir e aliviar a gastrite
Queimação, dor no estômago e náusea são queixas de 15 a 30% dos
pacientes que procuram um gastroenterologista. Esses sintomas são
característicos de gastrite, uma inflamação aguda ou crônica nas paredes
internas do estômago.
A bactéria Helicobacter pylori, que se hospeda no estômago, é
apontada como uma das causadoras da gastrite. Estima-se que 80% dos
brasileiros estejam infectados pela bactéria e que 5 a 15% dessas
pessoas manifestem a doença. A relação entre a H. pylori e a
gastrite ainda não foi compreendida pela medicina, mas acredita-se que o
micro-organismo enfraqueça a mucosa estomacal, fazendo com que o suco
gástrico machuque as paredes do estômago.
O uso prolongado de anti-inflamatórios não hormonais (como a aspirina) e
o consumo exagerado de bebidas alcoólicas são fatores que também
sensibilizam a mucosa estomacal, assim como stress, tabagismo e má
alimentação.
Diagnóstico — Os sintomas da gastrite são parecidos
com os de refluxo, má digestão e até câncer. Por isso, o ideal é, antes
de tomar um remédio por conta própria, procurar um médico, que pedirá
uma endoscopia para confirmar o diagnóstico. "A automedicação alivia os
sintomas no momento, mas pode mascarar outras doenças mais graves", diz o
gastroenterologista Rogério Saad, professor da Faculdade de Medicina de
Botucatu Unesp/FMB.
Uma gastrite não tratada pode evoluir para uma úlcera, um profundo
machucado na mucosa do estômago. Os sintomas da moléstia são perda de
peso rápida, vômito ou fezes com sangue, febre, olhos amarelados,
vômitos frequentes, anemia e presença de gânglios em regiões como
pescoço e virilha.
O tratamento da gastrite segue os mesmos preceitos da sua prevenção e
inclui remédios para diminuir a acidez no estômago e, na presença da
bactéria H. pylori, antibióticos.
Mastigar bem a comida
A mastigação ajuda a formar o bolo alimentar, reduzir as partículas do
alimento e, por isso, facilitar o processo digestivo. "Quando a pessoa
não mastiga adequadamente, o organismo precisa secretar mais suco
gástrico para digerir a comida, o que favorece a gastrite", diz Carolina
Pimentel, gastroenterologista do Núcleo de Gastroenterologia do
Hospital Samaritano de São Paulo.
Moderar no café
O café exerce uma ação irritante se a mucosa do estômago estiver
inflamada. "Seria como jogar álcool numa ferida aberta: vai doer", diz o
gastroenterologista Rogério Saad, professor da Faculdade de Medicina de
Botucatu Unesp/FMB. "A recomendação é não exagerar na quantidade e
trocar cafés muito concentrados, como o expresso, por versões mais
fracas ou descafeinadas."
Não exagerar no álcool
O álcool ataca diretamente a mucosa estomacal, deixando o estômago com
uma menor proteção contra os efeitos ácidos do suco gástrico. "O consumo
exagerado aliado a hábitos como a má alimentação pode agravar a
gastrite e levar até a uma úlcera", diz Rogério Saad.
Evitar alimentos gordurosos
"Alimentos de digestão lenta, como os gordurosos, fazem o estômago
produzir mais suco gástrico, o que pode agravar a gastrite", afirma o
gastroenterologista Renato Simão, cirurgião do aparelho digestivo do
Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Comer de três em três horas
O suco gástrico é constantemente secretado pelo estômago. Por isso,
deixar o estômago vazio faz com que o suco ataque diretamente a mucosa
do órgão, causando as dores características da gastrite. Comer de três
em três horas ajuda a manter o estômago sempre protegido.
Controlar o stress e a ansiedade
O stress e a ansiedade podem causar gastrite aguda. "Como reação a
esses estados emocionais, o corpo aumenta a secreção do suco gástrico, o
que machuca a parede estomacal", diz Rogério Saad. Ter hábitos
relaxantes e praticar atividades físicas podem ajudar a controlar os
nervos.
Não fumar
Fumar estimula a produção ácida no estômago, lesionando a barreira da
mucosa gástrica. "Além disso, a nicotina altera o funcionamento do
intestino, o que interfere na absorção dos alimentos", diz Renato Simão.
Tomar anti-inflamatórios não hormonais controladamente
Os anti-inflamatórios não hormonais, como a aspirina, podem afetar
tanto na diminuição do muco, quanto no aumento do suco estomacal.
"Muitas pessoas tomam esses medicamentos sem precisar. Seu uso
descontrolado pode causar gastrite", diz Carolina Pimentel.
Patricia Orlando
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